Grafeno: a descoberta que vai revolucionar a produção de novos materiais

Tema foi um dos destaques do 3° Congresso Brasileiro do Plástico, que ocorreu durante toda terça-feira, 16 de outubro, na PUCRS, em Porto Alegre

 

O renomado doutor em engenharia de polímeros, Ricardo Andrade foi o responsável pela última palestra do 3º Congresso Brasileiro do Plástico, com o tema Grafeno e a Indústria de Plásticos do Futuro. “Por que o grafeno é tão importante? É um material de baixa densidade, transparente e muito forte, flexível. É o melhor condutor de eletricidade que se conhece, possui a maior condutividade térmica e é um milhão de vezes mais fino que o cabelo humano”, explicou Andrade. O engenheiro mostrou cases de materiais multinacionais que já utilizam o grafeno, como a Samsung. No Brasil, Andrade destacou o MackGraphe – Centro de Pesquisas Avançadas em grafeno, namomateriais e nanotecnologias, pertencente a Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde trabalha como pesquisador e professor assistente. “O Brasil tem a segunda maior reserva de grafite do planeta e ainda não tem indústrias que utilizem o grafeno”, ressaltou.

O assunto foi um dos mais aguardados pelas cerca de 500 pessoas que participaram do 3CBP, que reuniu empresários, estudantes, representantes da indústria do plástico e especialistas em meio ambiente. “Estamos muito contentes com o evento, que conseguiu debater os principais temas da atualidade quando falamos de plástico e desmistificar polêmicas que surgiram nos últimos anos”, relatou o presidente do 3° Congresso Brasileiro do Plástico e presidente do Instituto SustenPlást, Alfredo Schmitt.

A palestra de José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da FIESP e presidente da Abiplast – Associação Brasileira da Indústria do Plástico abordou assuntos relacionados à exportação do plástico e compartilhou alguns dados referentes aos principais destinos das exportações brasileiras, com destaque para a China que importa 26,3% da produção nacional. O palestrante lamenta o fato de “o Brasil ainda ser um país que exporta principalmente matéria-prima, com baixo valor agregado, o que faz com que os produtos sejam importados por valores muito superiores”. Ele ressalta a importância de haver um maior controle da inflação e das taxas de câmbio para que possamos ser mais competitivos no mercado externo.

Especialista em megatendências das embalagens plásticas, o norte-americano Ronald D. Sasine destacou as principais tendências para estas embalagens no mundo e alertou para um dado curioso: o plástico será um dos materiais mais exportados nos Estados Unidos em embalagens. “Com o crescimento das vendas de alimentos, cuidados pessoais, cuidados com bebês e produtos para mascotes, que nos próximos anos vão crescer na área do e-commerce, vai aumentar ainda mais as vendas de embalagens plásticas“. Já o biólogo Alexander Turra alertou que os descartes não são produzidos pelos mares e só estão lá por falta de consciência e atitude sustentável. Quem polui é o ser humano. “O lixo plástico não é produzido pelo mar e estima-se que 80% dos resíduos nos oceanos sejam oriundos de atividades realizadas em terra, como agricultura, turismo e até ocupações ilegais de moradia. Os outros 20% dos resíduos são gerados no mar em atividades realizadas lá, como pesca, turismo e até atividades náuticas”, afirmou.

O 3° Congresso Brasileiro do Plástico é um evento bianual promovido pelo Instituto SustenPlást e pelos três sindicatos gaúchos do setor: Sinplast – Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do RS, Simplás – Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho, e Simplavi – Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Vale do Vinhedos. A próxima edição do evento deverá ocorrer em 2020, ainda sem data definida.